terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A confrangedora indigência


J.-M. Nobre-Correia

Média : Dia após dia, a RTP dá provas de uma inacreditável mediocridade dos seus telejornais. Mas, estes últimos dias, o principal apresentador do principal telejornal ultrapassou tudo o que é imaginável em matéria de incompetência e má-fé…

É muito difícil escrever sobre os média portugueses, quando a quase totalidade dos leitores pratica unicamente a imprensa, a rádio e a televisão nacionais. Não que, em viagem pelo estrangeiro ou por curiosidade pontual, não tenham contactado com média de outros países. Mas, no dia a dia, durante toda a vida, foi com média portugueses que se informaram.
Daí que, mesmo entre os mais críticos, haja sempre quem diga que há esta ou aquela rubrica, este ou aquele programa que não são maus. E mesmo que tal outra ou tal outro até são bastante bons. E é evidente que os há : nem tudo é um mar de desolação, felizmente !
Não impede que, globalmente, comparada com a maioria das congéneres europeias, a televisão em Portugal é de uma aflitiva mediocridade. Em termos de programação como de informação. A programação é dominada por telenovelas rascas, concursos idiotas, diretos folclórico-musicais “pimba” e emissões de paleio político, futebolístico ou sócio-miserabilismo ao quilómetro.
Os telejornais são, quanto a eles, uma autêntica miséria. Com uma duração duas a quatro vezes superior à dos do resto da Europa. Uma proliferação de “diretos” perfeitamente injustificáveis, nada de essencial estando a acontecer, aproveitando atores diversos da vida social (sobretudo políticos) para rentabilizá-los em proveito próprio. Uma ausência quase total de gravações e de montagens, depois de devidamente eliminado o que é redundante, secundário e perfeitamente dispensável. Uma quase ausência de sequências de jornalismo especializado, explicativo, didático, ilustradas de maneira pertinente. Uma inacreditável ausência de sentido de prioridade dos factos de atualidade e da sua desejável hierarquização. Uma chocante importância dada aos mais variados “faits divers” (crimes e acidentes), sem repercussão alguma na via quotidiana das pessoas. Uma escandalosa deificação do futebol e uma ultra-exagerada atenção dada a jogadores, treinadores e presidentes de clubes.
Depois, como se todos estes aspetos insatisfatórios não ultrapassem já os limites do tolerável, assistimos na televisão pública a jornais apresentados por gente totalmente inadequada. Gente cheia de tiques faciais, gestuais e elocutivos, pondo em evidência o manuseamento de uma caneta de marca (sem que isso suponha um qualquer patrocínio, espera-se) e dirigindo até aos espectadores vulgaríssimas piscadelas de olho finais ! Gente encarregada da apresentação do jornal, mas que também se estima capaz de ser entrevistador (agressivamente militante quando o entrevistado não lhe agrada) ou enviado especial (que faz umas coisas a que chama reportagem e se põe a editorializar banalidades sobre temas de política internacional que manifestamente ignora, à maneira de quem recebeu encomenda para consumo político interno).
Ora, espantem-se os leitores incautos : o apresentador-entrevistador-repórter-editorialista que mais tristemente se evidenciou nestes últimos dias foi diretor de informação da televisão pública em duas ocasiões. E é professor na primeira universidade portuguesa que criou um curso de ciências da comunicação. Dois estatutos que provam bem o descalabro em que se encontra a informação na televisão em Portugal e os cálculos pouco académico-profissionais que as universidades fazem na constituição dos seus corpos docentes…
Tristemente, porém, os portugueses habituam-se a tudo. Nada verdadeiramente os indigna. Nada os leva a contestar publicamente a mediocridade da informação que a RTP lhes propõe. Nem a exigir que o petulante apresentador-entrevistador-repórter-editorialista seja afastado das suas funções, dada a sua aterradora incompetência técnica, a sua abissal ignorância cultural e a sua estrondosa manifesta má-fé militante. Não ! Vão deixá-lo continuar a usufruir de um escandaloso salário [1] por um serviço de uma aflitiva mediocridade : triste país ! Queixem-se depois !…




[1] Num país como a Bélgica (economicamente subdesenvolvido, ousarão talvez dizer as vedetas da televisão portuguesa), nenhum jornalista vê o seu salário aumentado pelo simples facto de passar a apresentador do jornal. Acrescente-se que, nesta mesma Bélgica, nenhuma televisão local ousaria pôr como apresentador do seu jornal aquele que é o principal apresentador do principal jornal da televisão pública portuguesa…

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O novo príncipe dos média


J.-M. Nobre-Correia

Depois das telecomunicações e das redes de cabo, Patrick Drahi passou a interessar-se por televisões, diários, magazines e rádios. E em apenas um ano e meio provou que as ambições nesta matéria são bastante grandes…

Muito se tem falado nestes últimos meses de Patrick Drahi e de Altice, desde que esta se candidatou à aquisição da PT Portugal. Há no entanto um aspeto das atividades de Drahi que parece ter totalmente escapado aos jornalistas : o da sua implantação cada vez maior no sector dos média. Com o que isto significa em termos de estratégia com diferentes vertentes.
Nascido em Marrocos, Drahi é um homem de negócios que dispõe das nacionalidades francesa e israelita, estando porém domiciliado fiscalmente na Suíça. Criador em 2001 da sociedade luxemburguesa Altice, está hoje presente nas telecomunicações e nas redes de cabo, mas passou mais recentemente a interessar-se pelos média ditos tradicionais.
Em julho de 2013, Drahi lançou assim I24news em Israel, televisão de informação contínua em árabe, francês e inglês, que procura ser “uma alternativa a Al-Jazira” e “mostrar o verdadeiro rosto de Israel ao mundo, sem ser um instrumento de propaganda”. Uma iniciativa que tem manifestamente um certo cariz militante e de fidelidade às origens culturais do seu criador.
Já a entrada no capital de Libération, um ano depois, responde a preocupações diferentes. Em crise financeira profunda, o diário parisiense foi objeto de operações capitalísticas diversas em 2013 e 2014, tendo a última consistido precisamente na tomada de controlo de 50 % da sociedade de edição por Drahi, em julho de 2014. Iniciativa que, dizem próximos do dossiê, é devida ao facto que Drahi quis “ajudar um título de que muito gostava”…
Prosaicamente, a motivação terá sido outra. Por ocasião da batalha contra o Groupe Bouygues para a aquisição da francesa SFR, em abril-maio de 2014, Drahi tomou consciência de ser globalmente um ilustre desconhecido em França. E constatou que tanto o “establishement” como o governo francês tinham apoiado Bouygues, largamente presente no sector dos média, nomeadamente com o grupo TF 1. O que significava, para Drahi, que ser proprietário de um grupo de média permite dispor de apoios essenciais para as iniciativas de um homem de negócios.
Terceira etapa decisiva : a compra anunciada do semanário francês L’Express e dos mensários L’Expansion (economia), Lire (literatura), Classica (música) e Studio Ciné Live (cinema). Um conjunto de magazines (a que vinham acrescentar-se mais alguns outros) que o grupo belga Roularta adquiriu por 220 milhões de euros em 2006 e venderia agora por uns modestos 25 milhões. Valores que refletem claramente a crise da imprensa iniciada pouco depois da compra por Roularta, grupo que perdeu 57,9 milhões de euros em 2013, devido sobretudo aos magazines franceses.
Nesta nova dinâmica de Altice, anuncia-se desde já a próxima aquisição da francesa Radio Nova. Mas também a constituição de um grupo plurimédia, com a criação da sociedade Mag&NewsCo, detida por Drahi e pelo seu sócio Marc Laufer, que “integrará a televisão, a rádio, a imprensa escrita, o digital e o móvel”. Até porque, segundo os seus promotores, as telecomunicações e os média não são afinal áreas profissionais assim tão distantes…
Os jornalistas de Libération (de centro esquerda) e de L’Express (de centro direita) manifestam desde já preocupação. Tanto no que diz respeito às sinergias editoriais entre os dois títulos, que se aparentam bastante problemáticas. Mas também no que se refere à prática de “custos baixos” caraterística das empresas de Drahi, que poderá anunciar novas vagas de despedimentos nas diversas publicações.
Num contexto caraterizado pela fragilidade de bom número de média, o reforço da posição de Altice em Portugal levará provavelmente Drahi a interessar-se pelo sector. Sobretudo se os média nacionais não servirem docilmente de câmara de eco à sua estratégia e às suas ambições. E há por aí tantos média à espera de um reforço substancial do capital das suas empresas…

sábado, 17 de janeiro de 2015

Estranha gente essa ali ao lado !


J.-M. Nobre-Correia

Bruxelas e Washington disputam o lugar de cidade com mais correspondentes de média do mundo inteiro. Mas estes mesmos correspondentes ignoram tudo ou quase tudo da vida política, económica, social ou cultural dos belgas…

De repente, o terrorismo faz da Bélgica tema de atualidade nos média portugueses. Há porém que prevenir leitores, ouvintes e espectadores : a grande maioria dos correspondentes dos média portugueses em Bruxelas nada ou quase nada sabe da vida política, da economia, da cultura ou mesmo da sociedade belga…
Largas centenas de jornalistas [1] estão em Bruxelas como correspondentes antes do mais para cobrirem a atualidade da União Europeia e da NATO. E, nestas matérias, repetem largamente o que lhes dizem os serviços de comunicação destas instituições, em conferências de imprensa diárias e em numerosos documentos que lhes são endereçados todos os dias. Ou então repetem mais ou menos religiosamente o que lhes dizem ministros portugueses, representantes de Portugal junto destas duas instituições e altos funcionários geralmente de origem portuguesa.
Acrescente-se que os ditos correspondentes vivem em “vase clos”, em circuito fechado, em gueto, de preferência nas cercanias do Rond-Point Schuman, mesmo ao lado Comissão, do Parlamento e do Conselho Europeus, em Bruxelas. Escapando de vez em quando à rotina com uma breves expedições até ao Luxemburgo ou a Estrasburgo.
Depois, quando se passa algo na Bélgica, os média de que são correspondentes procuram “rentabilizá-los” e pedem-lhes “peças” sobre assuntos de atualidade. Recorrem então sobretudo à leitura dos diários Le Soir e La Libre Belgique, e à escuta da pública RTBF ou das privadas Bel RTL e RTL-TVI, sendo quase todos incapazes de ler ou compreender os média em língua neerlandesa, o que põe um sério problema quando se trata de atualidade que se desenrola no norte do país, na Flandres.
Aqui há meia dúzia de anos, encontrei no edifício da Comissão Europeia um dos mais antigos correspondentes portugueses em Bruxelas. “Ainda bem que o vejo”, exclamou. Perguntou-me então quem poderia entrevistar para lhe fazer o ponto sobre a situação política na Bélgica e fazer até um rápido apanhado geral sobre a história da “questão linguística” na Bélgica.
Aconselhei-lhe os nomes das duas pessoas que me pareciam mais indicadas : Vincent de Coorebyter e Xavier Mabille. Mas o nosso correspondente desconhecia tais nomes ! Expliquei-lhe então que o primeiro era diretor geral do CRISP (que depois enveredou por uma carreira universitária) e o segundo presidente do dito CRISP (entretanto falecido).
Só que o correspondente português também não sabia o que era o CRISP ! Ora, o Centre de Recherche et d’Information Socio-Politiques é o mais célebre centro de investigação do país em matéria sociopolítica. Criado em 1959, publica desde então, para além do mais, um Courrier Hebdomadaire (semanal, como indica o nome) em formato A 4, com uma média de uma quarentena de páginas, sobre temas políticos, sociais, económicos próprios à sociedade belga. Um Courrier Hebdomadaire que é uma referência absolutamente indispensável.
O nosso correspondente, apesar da sua longuíssima estadia em Bruxelas, ignorava a existência deste centro e dos seus dois mais altos responsáveis, autores no entanto de intervenções regulares nos principais média do país !
Ficam pois os leitores, ouvintes e espectadores prevenidos sobre o nível de qualidade das correspondências de Bruxelas. Ou melhor : sobre as manifestas deficiências dos correspondentes. Basta ver como, em boa parte dos casos, pronunciam nomes de localidades, instituições ou personalidades em vista da Bélgica : um verdadeiro festival de humor involuntário !…



[1] Em 1995, em Bruxelas, a Comissão Europeia registava 770 jornalistas acreditados, estrangeiros na maior parte dos casos. Em maio de 2004 eram 920 e em 2005 atingiam os 1 300. Em 2006 já só eram 1 180, em 2008 apenas 1 100 e em 2010 só 752. Neste sector, como em muitos outros, a crise da imprensa em papel e a crise económica tiveram consequências evidentes…

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Un monde s'écroule lentement

J.-M. Nobre-Correia

La presse quotidienne belge francophone est en pleine décomposition. Les ventes chutent brutalement sans que les éditeurs comprennent ce qui a changé avec la presse, la Belgique et plus particulièrement Bruxelles…

Passons sur la fait que les chiffres authentifiés concernant la diffusion des quotidiens belges soient rendus publics avec un énorme retard. Et que même les chiffres déclarés sur l’honneur par les éditeurs subissent des retards. Alors qu’il serait souhaitable que les professionnels en prennent connaissance dans les plus brefs délais.
D’aucuns diront que, pour mes mauvaises nouvelles, on peut toujours attendre ! Et il est vrai que la situation a un côté terrifiant. Un seul exemple : le traditionnel navire amiral de la presse quotidienne francophone, Le Soir [1], diffusait encore 236 580 exemplaires en 1971, vendait 145 534 en 1993 et n’en vend plus que 64 371 [2] (71 257 si l’on ajoute à l’édition en papier l’édition numérique) [3] ! Comment expliquer un tel effondrement, qui atteint d’ailleurs tous les quotidiens francophones ?
L’absence de vrais éditeurs
La triste réalité, disons-le crûment, est qu’il n’y a pas de vrais éditeurs de presse en Belgique francophone (mais il en va autrement en Belgique néerlandophone). Et cela est vrai depuis quelques longues décennies. En fait, ceux qui sont à la tête des entreprises de presse n’ont pas la moindre sensibilité à l’information et au journalisme. Ils gèrent plus ou moins convenablement leurs deniers, sont même parfois d’assez bons négociateurs en matière de finances. Mais ce qui fait un vrai éditeur de presse (la sensibilité à fleur de peau à l’actualité, à l’écriture, à l’illustration et au graphisme, mais aussi à l’impression, à la distribution et à la commercialisation des journaux) leur échappe largement. Et les journaux s’en ressentent, car ce sont ces gens qui choisissent ceux qui sont à la tête des rédactions (et de préférence des personnalités qui ne leur poseront pas problèmes, sans charisme et sans talent). Et qui, in fine, décident des moyens humains et matériels dont disposent les rédactions.
Du coup, les quotidiens belges francophones manquent de substance, d’originalité, de « valeur ajoutée », vivant beaucoup des dépêches de Belga (et puis rarement d’autres agences d’information) et de textes des services de communication des entreprises et institutions, tout en réécrivant à la louche ce que des confrères étrangers (surtout français) disent de l’actualité non-belge. Dès lors, aux yeux des lecteurs, l’acte d’achat est chichement compensé par la qualité du contenu proposé.
Cette impression de vide est accentuée par le fait que nos quotidiens ont été incapables d’adapter leurs contenus à l’évolution démographico-culturelle de la Belgique. Des données récentes disent que 33,8 % des habitants à Bruxelles-Capitale sont des ressortissants étrangers. Si on y ajoute tous les Belges qui à l’origine avaient une autre nationalité ou sont issus de l’immigration, on comprendra mieux que Bruxelles soit la « deuxième ville la plus cosmopolite d’Europe ». Mais, si nos supermarchés, par exemple, ont su progressivement adapter l’éventail des marchandises proposées à cette évolution de la clientèle, la presse, elle, y est restée largement insensible. « La Belgique de papa » n’existe plus, mais nos éditeurs l’ignorent !…
Cette absence de sensibilité des éditeurs explique aussi le faible développement des éditions numériques. Depuis le milieu des années 1990, on assiste à un basculement vertigineux de l’information vers internet et le numérique. Mais, extrêmement lents à adopter offset, quadrichromie et formats compacts, nos éditeurs n’ont pas saisi promptement non plus la mutation en cours. Aussi, Le Soir, le quotidien francophone avec la plus grande diffusion en numérique, atteint modestement 6 887 exemplaires [4].
Par ailleurs, cette insensibilité à l’évolution des médias et du journalisme explique également l’incapacité à saisir celle du statut de Bruxelles depuis soixante ans, avec l’installation des institutions de l’Union européenne, d’abord, et de l’OTAN, ensuite. Et ce que cela a entrainé comme prolifération d’institutions et représentations internationales et étrangères de toute sorte…
Une actualité spécifique ignorée
Or, les seules initiatives en provenance d’éditeurs ou journalistes belges n’ont jamais été de nature à combler le besoin d’information spécifique concernant l’UE et l’OTAN. Alors même que, mieux que n’importe qui, ils étaient en mesure de combler ce déficit à moindres coûts. Pourtant, les moyens investis ont toujours été d’une invraisemblable modestie dans les rares et pâles initiatives en la matière [5].
Plein de médias étrangers disposent d’équipes de journalistes spécialisés à Bruxelles, bien plus nombreuses que les médias belges francophones, la plupart de ceux-ci ne disposant même pas du moindre journaliste spécialisé attaché en exclusivité à l’actualité de l’UE et de l’OTAN. Et c’est de l’étranger qu’on a vu surgir quelques initiatives installées à Bruxelles, cas de l’European Voice, hebdomadaire lancé le 5 octobre 1995 par le Britannique Pearson [6].
Une initiative d’une plus grande envergure a été annoncée en septembre dernier [7] : le quotidien en ligne états-unien Politico lancera au printemps 2015 une édition européenne en partenariat (50-50) avec l’allemand Axel Springer [8]. Basé à Bruxelles, Politico Europe, avec un capital d’au moins 10 millions de dollars (The Wall Street Journal dixit) disposera d’une équipe de plus de 100 personnes (selon le Financial Times), dont 30 à 40 journalistes à temps plein, et des bureaux à Paris et à Berlin, peut-être même à Londres.
Fondé en 2007 par deux ex-journalistes du Washington Post, Politico, basé à Washington, atteint quelque 7 millions de visiteurs uniques chaque mois et est devenu une lecture obligatoire de tous ceux qui veulent suivre la politique états-unienne. Politico Europe, quant à lui, traitera avant tout de l’actualité de l’Union européenne, mais aussi, plus largement, celle de toute l’Europe. En attendant, il vient d’absorber l’European Voice le 10 décembre dernier…
Ce que les éditeurs belges (surtout francophones) ont été incapables de faire (ou même de concevoir) et les éditeurs français ont négligé (alors que, pendant de très longues années, le français a été la langue dominante au sein des institutions de l’UE), un éditeur états-unien va le faire, en anglais, en collaboration avec un éditeur allemand [9]. En nous proposant, bien évidemment, leur vision de l’UE…
Ces deux événements (la diffusion des quotidiens belges et le lancement de Politico Europe) mettent en fait en évidence une certaine évolution de l’information au sein de l’UE. Notamment le recul de la France et de ses éditeurs au sein de l’UE, où le Financial Times est devenu depuis longtemps la « bible » de lecture obligatoire. Mais aussi l’affaiblissement inquiétant des éditeurs belges et plus particulièrement des éditeurs belges francophones…



[1] Premier « titre » de la presse quotidienne belge francophone, Sud Presse n’existe pas. C’est tout simplement le nom de la société qui édite La Capitale, La Meuse, Nord Éclair, La Nouvelle Gazette et La Province.
[2] Chiffres déclarés sur l’honneur par l’éditeur au CIM pour la seule édition papier concernant la période du 4e trimestre 2013 au 3e trimestre 2014.
[3] Les chiffres concernant La Libre Belgique, « l’autre quotidien de référence », sont encore plus tristounets : 34 977 pour les ventes de l’édition en papier, 37 158 si on y ajoute l’édition numérique.
[4] Et à peine 2 118 pour La Libre Belgique.
[5] La Métropole-Journal d’Europe lancé le 19 janvier 1972 par Rossel, devenu Journal d’Europe le 5 janvier 1973 et disparu le 24 septembre 1974, était très peu « européen », mais fut la seule initiative à prendre une certaine ampleur, bien que modeste.
[6] Éditeur notamment du quotidien Financial Times et de l’hebdomadaire The Economist. Le 22 avril 2013, Pearson a cependant cédé l’European Voice au groupe français Selectcom qui le cédera ensuite à Politico.
[7] Pourtant, dès le 4 juin dernier, par courriel adressé à l’auteur de ces lignes, la rédaction de De Morgen annonçait la préparation d’un texte sur le sujet…
[8] Éditeur notamment du plus grand quotidien européen, le populaire Bild, et du quotidien de référence Die Welt. En juillet 2013, Axel Springer s’est séparé de ses quotidiens régionaux et de toute une série de magazines pour investir très fortement dans une reconversion numérique qui lui assure déjà presque 50 % des recettes et plus de 60 % des bénéfices.
[9] Profondément conservateur, Axel Springer (1912-1985) a fait inscrire dans les statuts de son groupe médias l’anticommunisme, l’appui à l’Alliance Atlantique et la solidarité avec les États-Unis, ainsi que l’appui aux droits vitaux de l’État d’Israël…





Texte paru dans Politique revue de débats, Bruxelles, n° 88, janvier-février 2015, pp. 12-13.